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A Importância do Programa Ribeirão – 3ª Frente à Emergência Climática

A humanidade, em sua maioria, e quase a totalidade dos governos, não reagiram às advertências das centenas de cientistas do Painel Intergovernamen­tal sobre Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC, de que estávamos em crise climática provocada pela atividade humana e que já provocou um aquecimento global de 1,07ºC em relação ao período pré-industrial. As últimas conclusões do mais recente relatório científico, publicado pelo IPCC em agosto, e que instruiu as decisões tomadas na 26ª Conferência das Nações Unidas Sobre o Clima, a COP26, deixam claro que avançamos perigosamente para o estado de emergência climática. O “alerta vermelho” está aceso! O aquecimento está acontecendo mais rápido do que os cientistas previram e os próximos 18 meses serão cruciais para determinar se os países tomarão medidas ali­nhadas ao teto de aquecimento global, o que implicará reduzir as emissões em 45% até 2030 ou se nos empurrarão para uma catástrofe climática.

E nas cidades, como estamos atuando?!

A maioria das cidades brasileiras sofre os impactos dessa emergência climática, tais como eventos extremos, como secas mais prologadas, enchentes, queimadas e alta oscilação de temperaturas. Aqui, em Ribeirão Preto, fomos engolidos por uma nuvem de poeira e fumaça. A Cetesb informou que tivemos, em setembro, a pior qualidade do ar em todo Estado de SP, sem chuvas e com umidade relativa do ar em torno dos 20% – muito abaixo dos 50% a 80% recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Uma análise realizada pela profª Maria Lúcia de A. M. Campos e pela pesquisadora Caroline Scaramboni, constatou a presença de partículas cancerígenas (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos-HPAs) no ar de Ribeirão Preto, provocadas pelas queimadas que ocorrem na região somadas ao tempo seco. Segundo estes estudos, o potencial cancerígeno é 19 vezes maior do que aquele preconizado pela OMS!

Se não bastassem esses dias cinzas, estamos em alerta para uma crise hídrica municipal. O último relatório do estudo de Gerenciamento da Explotação do Aquífero Guarani em Ribeirão Preto – SP (FEHIDRO – Abril 2021), indica que, nas condições atuais, o volume de água explotado do Sistema Aquífero Guarani excede a capacidade natural do manancial, caracterizando-se como superexplo­tação. Nosso consumo e gestão hídrica não são sustentáveis.

A cobertura de vegetação nativa do Município, segundo o último mapeamento realizado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, é de 9%, muito abaixo dos 20% para entrarmos no “verde” dentro do inventário. O recomendado por especialistas em Ecologia e Climatologia Urbana é uma cobertura de 30%, no mínimo, para sentir­mos alguma influência no balanço térmico urbano.

O Programa Ribeirão -3ºC nasce nesse contexto. UMA GRANDE COLABORAÇÃO PARA TORNAR NOSSA ÁREA URBANA 30% MAIS VERDE ATÉ 2030.

Idealizado e construído pela sociedade civil, ganhou impulso pelo nosso mandato, pela Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, a qual presido, e pelo Fórum Permanente de Inovações Urbanas e Susten­tabilidade, que envolveu especialistas na área ambiental e urbana, os quais desenvolveram o Plano de Ação 2020-2030, que contempla 20 soluções para alcançar a meta até 2030.

Em setembro, a Prefeitura assinou o compromisso com a visão do Pro­grama e a Solução 12: “Projeto de Educação e Verdejamento das Escolas”.

Faltam parcerias para 19 soluções, tais como: eliminar ilhas de calor, aumentar nossa cobertura arbórea com mudas nativas qualificadas.

Os benefícios do verdejamento são enormes, colaborando assim, com a mitigação dos efeitos dos eventos climáticos que estamos sofrendo. A transformação está a caminho, mas precisamos acelerar e agir rápido, rumo aos almejados -3ºC.

Nossa cidade ainda não conta com metas efetivas relacionadas às Ações Climáticas. Num mapeamento realizado para a COP26, 155 cidades brasileiras apresentaram seus compromissos, incluindo “Atingir emissões líquidas de carbono zero até 2050” e “Reduzir as emissões pela metade até 2030”. Cidades pelo mundo já estão se preparando, planejando e investindo em arborização, parques, corredores de biodiversidade, mobilidade ativa e sustentável, energia renovável, lixo zero, edificações zero carbono, economia “verde”, hortas urbanas, entre outros. Ribeirão Preto está atrasada.

Mais do que nunca, as gestões municipais vão precisar enfrentar desa­fios, sem precedentes, no cenário pós-pandemia e emergência climática. É preciso ter foco em ações que considerem as realidades municipais e regionais, e que tenham como objetivo principal a melhoria da qualidade de vida das pessoas, aliada à recuperação econômica e à recuperação ambiental em busca da justiça climática.

A sociedade civil já está se movimentando e deixando claro que quer viver numa cidade saudável, verde e resiliente. Se a Prefeitura ajustar a sinto­nia com a sociedade e agir, todos estaremos melhores!
Ribeirão Preto precisa agir!

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