O juiz da 2ª Vara Criminal de Itu, Hélio Villaça Furukawa, acatou, em 29 de agosto, o pedido do promotor Luiz Carlos Ormeleze e incluiu o nome do ex-vice-prefeito de Itu e vereador cassado em Ribeirão Preto, Élio Aparecido de Oliveira Júnior (então no PSC) na lista federal de pessoas procuradas da Justiça Brasileira conhecida por “difusão vermelha”. Ele é considerado foragido da Justiça desde 25 de agosto – na terça-feira, 5 de dezembro, serão completados 100 dias de fuga.
Ormeleze não descarta a possibilidade de o réu já ter deixado o Brasil. Em 29 de agosto, o magistrado acatou o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e incluiu o nome de Oliveira Júnior na “lista da difusão vermelha”. A medida foi adotada para evitar a saída dele do país. Fotos do acusado foram espalhadas na fronteira e nos aeroportos e portos do Brasil e de países da América do Sul. A Polícia Federal acionou o “alerta vermelho” e comunicou a Interpol.
A solicitação aceita pelo juiz Hélio Villaça Furukawa foi enviada ao delegado regional executivo da Polícia Federal em São Paulo, Lindinalvo Alexandrino de Almeida Filho. Segundo a Polícia Federal, ter o nome incluído na lista vermelha significa que o foragido pode ser preso por qualquer força policial do País em que esteja.
A defesa do ex-vice-prefeito e ex-vereador entrou com recurso no Superior Tribunal e Justiça (STJ) no final de agosto na tentativa de revogar a prisão de seu o cliente, que vai se apresentar caso consiga o habeas corpus. O promotor Luiz Carlos Ormeleze, no entanto, diz que se ele realmente quisesse colaborar com a Justiça já teria se apresentado.
Vereador cassado em outubro de 2011 pela Câmara de Ribeirão Preto por quebra do decoro parlamentar, Oliveira Júnior foi condenado, em fevereiro de 2015, a 20 anos de prisão acusado de ser mandante de um assassinato e de uma tentativa de homicídio, onze anos atrás, em 2006. Segundo o Ministério Público Estadual, não cabe recurso. A Justiça de Itu expediu o mandado de prisão. Além de político, o réu também ficou conhecido por atuar no mundo da bola como empresário de jogadores como o volante Mineiro e o lateral pentacampeão do mundo Roberto Carlos. Também foi presidente do Ituano e emprestou atletas ao Comercial de Ribeirão Preto.
Em fevereiro de 2015, o tribunal do júri considerou que Oliveira Júnior, de fato, foi o mandante de um atentado contra a vida do radialista Josué Dantas, em 2006, que culminou na morte do advogado Humberto da Silva Monteiro. O juiz da 2ª Vara Criminal de Itu, Hélio Villaça Furukawa, condenou o ex-vice-prefeito a 20 anos de prisão, em regime inicial fechado.
Diante da decisão, a defesa recorreu e o Judiciário entendeu que o empresário deveria aguardar o julgamento do recurso em liberdade, já que era réu primário e possuía endereço fixo. Para o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), a decisão da comarca de Itu foi legítima e a condenação foi mantida, mas o mandado de prisão não foi expedido, gerando um novo recurso, desta vez, do Ministério Público, pedindo a prisão do ex-vice-prefeito.
No dia 25 de agosto, a Justiça de Itu atendeu ao pedido de prisão do promotor e decretou a prisão do ex-vice-prefeito. Todos os acusados de participação no crime foram condenados – Tiago Martins Bandeira e Eduardo Aparecido Crepaldi foram acusados de serem os executores. A Justiça também considerou culpados Luís Antônio Roque e o ex-policial militar Nicéias Brito, que eram seguranças do ex-vice-prefeito.
O ex-chefe de torcida organizada Força Jovem, do Ituano, José Roberto Trabachini, foi acusado de tentar contratar assassinos que cometeriam o crime, mas, foi o único a ser inocentado pela Justiça. De acordo com a decisão, o empresário foi condenado a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio.
O advogado Humberto da Silva Monteiro foi morto com dois tiros na cabeça, no Centro de Itu, em 2006. Ele estava no banco do passageiro de uma caminhonete dirigida pelo radialista Josué Dantas Filho, que também era funcionário da prefeitura. Os autores do crime atiraram também contra o radialista, mas erraram o alvo.
Divergências políticas teriam motivado o crime. Depois de deixar o cargo em Itu, Oliveira Júnior se elegeu vereador em Ribeirão Preto, cargo que ocupou até 2011, quando foi cassado por quebra de decoro parlamentar – ele teria desacatado um policial militar ao ser flagrado dirigindo embriagado na avenida Doutor Francisco Junqueira, no Centro. Sempre negou todos os crimes que lhe são atribuídos.