O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – prévia da inflação oficial no país – disparou de 0,11% em janeiro para alta de 1,23% em fevereiro, 1,12 ponto percentual acima da anterior, após registrar taxas de 0,34% em dezembro, 0,62% em novembro e 0,54% em outubro, informou nesta terça-feira (25) ) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
É a maior alta desde abril de 2022 (1,73%) e a maior para um mês de fevereiro desde 2016 (1,42%). O IPCA-15 já havia registrado altas de 0,13% em setembro, 0,19% em agosto, de 0,30% em julho, 0,39% em junho, 0,44% em maio, 0,21% em abril e de 0,36% em março. Antes, disparou 0,78% em fevereiro, ante elevação de 0,31% em janeiro do ano passado.
Com o resultado anunciado nesta terça-feira, o IPCA-15 acumula alta de 1,34% no ano e de 4,96% em doze meses – acima teto da meta do Banco Central, que é de 3% em 2025, com variação de 1,5 ponto percentual para mais (4,50%) ou para amenos (1,5%) –, ante 4,50% até janeiro. Encerrou o ano passado em 4,71%. Era de 4,77% até novembro e de 3,71% até outubro.
Os preços do grupo Educação apresentaram a maior variação o IPCA-15 de fevereiro, de 4,78%, o que representou um impacto de 0,29 pontos percentuais no índice gera. Acelerou com relação a janeiro, quando a alta foi de 0,25%. O movimento é puxado pelos aumentos nos preços dos chamados cursos regulares (5,69%).
Isso ocorre por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. No período que inclui a segunda quinzena de janeiro e a primeira de fevereiro, as maiores variações de preço vieram do ensino fundamental (7,50%), do ensino médio (7,26%) e do ensino superior (4,08%).
IPCA cheio – A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano passado em 4,83%, contra, alta de 62% em 2023, elevação de 5,79% em 2022, aumento de 10,06% em 2021 e 4,52% em 2020 . A alta foi de 0,16%em janeiro deste ano, contra 0,52% em dezembro.
O resultado é o mais baixo para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real, em 1994, e a menor taxa mensal desde a deflação de 0,02% registrada em agosto de 2024, última queda de preços. Nos primeiros 31 dias do ano passado a alta foi de 0,42%.
O IPCA acumulado em doze meses arrefeceu pelo segundo mês consecutivo e ficou em 4,56%, ante 4,83% até dezembro e 4,87% até novembro, de acordo com o IBGE. É a mais branda desde setembro de 2024, quando estava em 4,42%.
Grupos – O avanço de 1,23% no IPCA-15 de fevereiro se refletiu em altas nos preços de sete dos nove grupos de produtos e serviços que integram o índice. O aumento mais significativo aconteceu em Educação e foi de 4,78%, com impacto de 0,29 ponto percentual no resultado geral.
Em seguida veio a alta dos gastos com Habitação, de 4,74% e impacto de 0,63 ponto percentual no índice geral. Depois dessas altas, todas as outras são decimais, puxadas por Alimentação e bebidas (0,61% e impacto de 0,14 p.p.).
Depois aparecem Saúde e cuidados pessoais (0,54% e impacto de 0,07 ponto); Transportes (0,44% e impacto de 0,09 ponto percentual); Artigos de residência (0,38% e impacto de 0,01 ponto); e Despesas pessoais (0,01, mas sem impacto no índice geral).
As únicas quedas de preço no período que engloba a segunda quinzena de janeiro e a primeira de fevereiro ficaram por conta dos grupos Vestuário (-0,08%, mas sem impacto) e Comunicação (-0,06%, mas sem impacto), indica o IBGE.
A inflação por grupos
Alimentação – Os preços de Alimentação e bebidas subiram 0,61% em fevereiro, após a alta de 1,06% registrada em janeiro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,14 ponto percentual para o IPCA-15. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,63% em fevereiro, desacelerando após o avanço de 1,1% no mês anterior. Contribuíram para esse resultado os aumentos da cenoura (17,62%) e do café moído (11,63%).
Entre as quedas, destacam-se a batata-inglesa (-8,17%), o arroz (-1,49%) e as frutas (-1,18%). Já os preços da alimentação fora do domicílio subiram 0,56% no período, também desacelerando com relação à alta de 0,93% em janeiro. Tanto a refeição (0,43%) quanto o lanche (0,77%) tiveram variações inferiores às observadas no mês anterior, de 0,96% e 0,98%, respectivamente.
Transportes – Os preços de Transportes subiram 0,44% em fevereiro, com impacto de 0,09 ponto percentual. Essa alta representa uma desaceleração com relação a janeiro, quando os preços do transporte tiveram alta de 1,01%. Os preços dos combustíveis tiveram alta de 1,88% em fevereiro, após alta de 0,67% no mês anterior.
Esse aumento está ligado, em parte, ao reajuste das alíquotas do de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidentes sobre este tipo de produto, que passou a valer em fevereiro. A gasolina subiu 1,71%, após ter registrado alta de 0,53% em janeiro.
Já o diesel subiu 2,42%, após aumento de 1,1% em janeiro. Além do aumento de ICMS, o diesel ainda assistiu a uma alta nos preços praticados pela Petrobras nas refinarias. Já o etanol, produto que mais encareceu na leitura, subiu 3,22%, após queda de 1,56% na última.
Habitação – Os preços do grupo Habitação subiram 4,34% no IPCA-15 de fevereiro, exercendo o maior impacto sobre o índice do período, de 0,63 pontos percentuais (p.p.). A energia elétrica residencial foi o subitem que mais pressionou os preços, com impacto de 0,54 p.p. no grupo.
A conta de luz avançou 16,33% em fevereiro, após a queda de 15,46% de janeiro em função da incorporação do bônus de Itaipu. Ainda em Habitação, a alta de 0,52% da taxa de água e esgoto decorre de reajustes de 6,42% nas tarifas em Belo Horizonte e do reajuste de 6,45% nas tarifas de uma das concessionárias em Porto Alegre, vigentes desde 1º de janeiro.
Em Ribeirão Preto, o reajuste médio praticada pela Secretaria Municipal de Água e Esgoto (Saerp) foi de 4,76%. Já o subitem gás encanado viu os preços caírem 0,32% em fevereiro, em função de variações nos preços do Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.