O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 – prévia da inflação oficial no país – registrou alta de 0,55% em janeiro, mantendo a média de dezembro (0,52%) e novembro (0,53%), após ter subido 0,16% em outubro, informou na manhã desta terça-feira (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, o IPCA-15 acumula aumento de 5,87% em doze meses, ante taxa de 5,90% até o mês passado. Em janeiro de 2022, foi de 0,58%. Segundo o IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em janeiro. Os preços de Alimentação e bebidas aumentaram 0,55% em janeiro, após alta de 0,69% em dezembro.
O grupo deu uma contribuição positiva de 0,12 ponto percentual para o IPCA-15, de acordo com o IBGE. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,61% em janeiro, após ter avançado 0,78% no mês anterior. A refeição fora de casa subiu 0,39%, ante alta de 0,45% em dezembro.
O encarecimento dos alimentos na inflação medida pelo IPCA-15 de janeiro foi puxada por produtos in natura. Segundo o IBGE, os itens de maior impacto na inflação de alimentos foram batata-inglesa (15,99%), tomate (5,96%), arroz (3,36%) e frutas (1,74%). Na contramão, a inflação só não foi maior porque caíram os preços da cebola (-15,21%) e do leite longa vida (-2,04%).
Transportes
Os preços dos combustíveis tiveram queda de 0,58% no IPCA-15 de janeiro. A queda ocorreu apesar da alta de 0,51% no etanol. Segundo o IBGE, caíram os preços do óleo diesel (-3,08%), gasolina (-0,59%) e gás veicular (-0,40%).
Com isso, o grupo Transportes avançou 0,17%, bem abaixo da alta de 0,85% de dezembro. “Destaca-se a alta do subitem emplacamento e licença (1,61%), que incorporou, pela primeira vez, a fração mensal referente ao Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2023”, diz a nota divulgada pelo IBGE.
Habitação
A conta de luz começou o ano mais barata, com queda média de 0,16%, registrada no IPCA-15. Com isso, o grupo Habitação subiu 0,17% no IPCA-15 de janeiro, abaixo do 0,40% de alta registrado em dezembro. Também houve queda de 1,32% nos preços do gás de botijão.
Por outro lado, o gás encanado subiu 7,09%, por causa do “reajuste de 10,90% em São Paulo, a partir de 10 de dezembro”. Segundo o IBGE, o aumento de São Paulo não havia sido apropriado no IPCA-15 de dezembro e, por isso, “foi incorporado integralmente no índice de janeiro”.
Saúde
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais registrou o maior impacto de alta na variação agregada. Ao subir 1,10%, os preços desse grupo contribuíram com 0,14 ponto percentual (p.p.) da alta de 0,55% do IPCA-15 de janeiro. A inflação desses itens acelerou. Na leitura anterior, em dezembro, tinha avançado 0,40%.
Os principais responsáveis pela aceleração foram os preços dos itens de higiene pessoal, com alta média de 1,88%, que haviam subido 0,04% em dezembro. Destacam-se as altas de perfume (4,24%) e produtos para pele (3,85%). Além disso, os planos de saúde (1,21%) repetiram a variação do mês anterior, refletindo a incorporação da fração mensal dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023.
Comunicação
O terceiro maior impacto veio do grupo Comunicação, contribuindo positivamente com 0,11 p.p., diante da alta de 2,36% no IPCA-15 de janeiro. A inflação desses itens acelerou, pois a alta tinha sido de 0,18% em dezembro. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelas altas de TV por assinatura (11,78%), combo de telefonia, internet e TV por assinatura (3,24%), acesso à internet (2,11%) e aparelho telefônico (1,78%).
“IPCA cheio”
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – o “IPCA cheio”, indexador oficial de preços no país – fechou dezembro, último mês do governo Jair Bolsonaro (PL), em 0,62%, a menor taxa para o mês desde 2018, quando subiu 0,15%. No mesmo período de 2021, tinha sido de 0,73%. Fechou 2022 em 5,79%. A taxa em doze meses é o resultado baixo desde fevereiro de 2021, quando estava em 5,20%.
Meta
Pelo segundo ano seguido, ficou acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC), que era de 3,5%, com teto de tolerância de 5%, mas bem abaixo do IPCA de 2021, quando a inflação oficial foi de 10,06%, o maior patamar desde 2015 – na época, havia ficado em 10,67%. O indexador de preços no Brasil encerrou 2020 com avanço de 4,52%, até então o maior desde 2016.