Para explicar criatividade necessitamos, primeiramente, concordar sobre o que ela é e isso é surpreendentemente difícil. Todas as ciências sociais enfrentam a tarefa de definir conceitos que parecem familiares e de nosso uso cotidiano. Por exemplo, estudiosos discutem as definições de inteligência, emoção, memória, movimento social, grupos e instituições. Talvez definir criatividade possa ser uma das tarefas mais difíceis dentro das ciências sociais.
Pesquisadores em criatividade podem ser agrupados em duas grandes tradições de pesquisa: uma abordagem individualista e outra sociocultural. Cada uma delas tem seu próprio foco analítico e cada uma define criatividade de forma levemente diferente. A abordagem individualista estuda uma única pessoa, conquanto esta esteja engajada em comportamento ou pensamento criativo. Esse enfoque estuda os traços das pessoas criativas, bem como, a maneira destas pensarem, perceberem e relembrarem. Em outras palavras, a definição individualista de criatividade refere-se apenas às estruturas e processos que são associados com uma única pessoa.
Assim considerando, criatividade é uma nova combinação mental expressa no mundo. Decompondo essa definição encontramos três elementos essenciais. Primeiro, criatividade é o novo, ou seja, o elemento mais básico de um pensamento, ou ação, criativos é que ele seja novo e original. Segundo, criatividade é uma combinação que envolve dois, ou mais, pensamentos e conceitos que nunca foram combinados antes. Terceiro, criatividade é expressa no mundo, ou seja, os pesquisadores de criatividade não podem estudar o que eles não podem ver. Por definição, criatividade tende a excluir ideias que estão na cabeça de uma pessoa e nunca são expressas, ou que nem podem ser vistas ou entendidas. Por outro lado, a definição sociocultural explica como estudar grupos criativos que coletivamente geram inovação, estruturas e processos dos sistemas social, cultural e organizacional. Desta forma, criatividade é a geração de um produto que é julgado ser novo e também apropriado, útil ou valorizado por um grupo social reconhecido.
Sua definição sociocultural é bastante similar às definições de inovação nas organizações. Todavia, novidade não é suficiente; a criação deve também ser apropriada e reconhecida como socialmente valiosa para alguma comunidade. Utilidade e novidade podem ser julgadas apenas por um grupo social. Muitos pesquisadores em criatividade têm sido influenciados por uma divisão em 4 partes da pesquisa em criatividade, conhecida como Quatro P (Produto, Pessoa, Processo e Pressão). Produto: neste caso, a pesquisa deve focar produtos julgados novos e apropriados por um relevante grupo social. Criatividade, neste caso, é sempre definida e avaliada usando uma definição sociocultural. Pessoa: pesquisas que estudam os traços de personalidade associados com criatividade. Pessoas criativas são aquelas identificadas com uma definição individualista. Processo: pesquisas que estudam os processos envolvidos durante o pensamento e o trabalho criativo. Pressão: envolve pesquisa que focaliza pressões ou forças externas atuando sobre o processo (contexto social) ou a pessoa criativa (contexto cultural).
Assim considerando, as duas definições englobam o indivíduo e o contexto em que os pensamentos ou ações criativas ocorrem, o que promove definir Criatividade como um construto multifacetado.